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SOLA CRUX
O primitivo, o institucional e o privado.
date_range11/05/2019 às 18:57

Um cristianismo para o terceiro milênio

Por: Márcio Rogério Bernardo Matos

O homem em um conceito mais naturalístico e humanista é um fruto do meio; um produto de suas experiências táteis e sensoriais com o meio. Este conceito entretanto, abre mão ou anula o conceito de revelação e graça divinos; aqui o homem é um mero animatum submisso ao caos e ao fatalismo.
Logo, esse é um conceito que não nos envolve muito menos nos encarcera. Somos ´creatura, Deum imago assimulatio´, somos a face visível, ainda que corrompida mais ou menos do Deus criador. Para chegarmos até aqui, uma rica e indestrutível tradição da Mensagem de Deus nos foi legada desde a ´Vox Deum´ passando pelo testemunho e testamento de profetas, apóstolos e discípulos (institucionalizados ou não) e sobreviveu aos embates culturais e de opositores, até o formato do nosso cotidiano.
O cristianismo como fenômeno da fé se manteve inalterado, mas, os seus aspectos estruturais e materiais sofreram enormes transições e assimilações de tempo e espaço. Num primeiro momento cristão, tivemos a igreja primitiva onde as interrelações e o compartilhamento da experiência individual ou coletiva da igreja foi o seu fator de efervescência e multiplicação. Nessa época, a perseguição era compreendida como parte inerente à postura da fé (como o Evangelho prescreve) e a maturidade cristã era encontrada na compreensão real da Palavra de Deus como ensino para uma conduta de vida abundantes no hoje e no porvir.
Com a revolução promovida por Constantino e a institucionalização da igreja, a fé passou a andar em companhia do edifício das estruturas, dos sistemas e arranjos. Essa mudança trouxe consigo um empoderamento que imitou e superou o poder do Estado; a igreja se tornou um legislador de Estados e passou à responder episodicamente com violência aos seus "inimigos". A face institucional da igreja meio que sobrepôs também uma maquiagem à expressão genuína do ´crente´; o indivíduo ganhou o recurso de métodos e de mecanismos para que lhe fosse conferido um selo de autenticidade à sua caminhada menos de fé e mais religiosa.
O terceiro milênio vai trazer uma revolução muito chocante e de recaracterização da igreja; essa revolução está em curso e já está produzindo influência desde meados do século XX. Estamos vivendo um fenômeno que não pode ser reduzido como fruto de um modismo vaidoso, embora às vezes haja muita vaidade na medida auto excludente daqueles que abrem mão da congregação, os chamados desigrejados como grupo identitário congregam uma gama de razões e situações para a sua condição que vai formar um enorme contingente para novos tempos. A igreja pós-denominacional tem uma multiplicidade incontável de aspectos e formas de manifestação; ela pode reunir-se e congregar ou não, ela é menos ritualística e mais espontânea, ela busca uma uniformidade e uma autonomia cultual entre tantas especulações que nos sugerem inexatamente os seus primeiros sinais visíveis; a igreja como um organismo vivo, hoje ainda mais, está sempre em mutação.
Se por um lado ela, a igreja perde poder organizado e esteja mais exposta ao avanço do secularismo, talvez, por um outro, ela forma indivíduos mais genuinamente comprometidos com a causa do Cristo e mais conscientes de seus papéis imanente e transcendente.
A revolução cultural pela qual está passando o cristianismo prega para ´crentes´ que compreendem a fé desatrelada da religiosidade, mas como um sistema orgânico vivo e dinâmico; é completamente indeterminável a direção que a igreja vai tomar no presente século, mas a igreja prevalecerá sobre os tempos, quais sejam as suas formas; importa que aqueles que à ela se ajuntam o façam pela mensagem da cruz.

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